
"Cheguei portaria do prédio dela, parte de mim estava assustada, parte de mim tinha medo de tocar naquela campainha e descobrir fosse o que fosse... Mas toquei campainha. Enquanto subia as escadas até casa dela, algumas peças encaixaram-se, fiquei muito mais assustada, o coração mingou no meu peito e tive vontade de me sentar nos degraus da entrada para chorar, eu estava-me e meter num beco sem saída... Estava a enterrar-me, e ainda agora que estou sentada em frente do computador tenho a mesma sensaçãoo de medo e angustia que tive nesse momento... Parece que ainda me sinto a subir as escadas daquele prédio, não me lembro que roupa tinha vestida mas sei que levava o meu blusãoo de couro preto, mas nessa altura nem a roupa que eu tinha vestida me dava confiança, cada degrau que eu subia eu sentia que me estava a afastar de alguma coisa...
Entrei finalmente na casa dela, ela estava em pijama e com cara de ensonada, tinha-a acordado, acho que eram cerca de 9:40 da manhã ... mas eu não podia esperar mais. Fomos até ao quarto dela, uma janela pequena e estreita iluminava o quarto, a cama desfeita, e a normal desarrumaçãoo matinal... ela sentou-se na cabeceira da cama e mostrou-me o telemóvel, friamente, mostrou-me mensagens que ela tinha trocado com o Ricardo, vi algumas... vi as que ela queria que eu visse, não chorei, fiquei estarrecida senti alguma coisa dentro de mim a partir, mensagens estranhas, ele gostava dela... Sem se preocupar como eu estava enquanto lia aquilo, ela falava-me dele, ela sabia que eu o adorava... Lembro-me perfeitamente de ela dizer esta frase: Eu estava-te ajudar a ti e ao Ricardo... de repente ele atira-se a mim... O meu mundo, esta a cair... Eu não gosto dele!!!

Não sou o tipo de pessoa perspicaz nem muito atenta, mas tenho um instinto muito aguçado, nessa altura ele trabalhou, e não consegui acreditar a 100% naquelas palavras...
Ela fez-me acreditar que o mau da fita era o Ricardo, fingi piedosamente acreditar, apontei algumas das mensagens num papel e meti-o no bolso por garantia. Depois fomos até cozinha dela, estavam dois carapaus em cima da banca... ela disse-me que era para o almoço dela e do pai... mais uma vez acreditei. Depois ela foi-se vestir e fomos até ao supermercado ela queria carregar o telemóvel, vínhamos do supermercado quando ela recebeu uma mensagem, disse que era dele, e leu-ma, ninguém imagina o quanto isso me feriu o coraçãoo...
Nessa tarde quando eu lhe liguei uma coisa tornou-se clara para mim, eu liguei-lhe e perguntei onde ela estava, ela disse-me que estava a almoçar fora de casa com a mãe... ai algumas peças se encaixaram... e comecei a juntar melhor as falhas que haviam...
Eram só mentiras!!!!
E depois a cada mentira que eu descobria por mim, outra mentira vinha atrás, parecia um ciclo vicioso, não havia fim, para não falar das mentiras que me afectavam, haviam outras mentiras, mentiras do passado dela, coisas que ela alterou por completo, verdades que ela contornou como se fossem uma rotunda. Era assustador descobrir aquilo, e por momentos desejei parar de descobrir, mas não podia, mesmo que eu não investigasse por minha conta, as descobertas vinham ter comigo."

